segunda-feira, 10 de junho de 2013

  Paisagem da Gamboa, Hipólito Boaventura Caron (1962-1892). Brasileiro (1862-1892). Paisagem
datada, 1882.
      “Desembarque de escravos” no Cais do Valongo, por Rugendas.  “O Brasil de Rugendas”, In “Coleção Imagens do Brasil”, Vila Rica Editoras Reunidas Limitada, Belo Horizonte, 1991. Johann Moritz Rugendas (1802-1858)  foi um pintor alemão que retratou os costumes no Brasil, tendo viajado por várias regiões. Entre os escravos havia uma grande quantidade de crianças.

Imagens do Valongo

     “Mercado de escravos na rua do Valongo” (1816-1828), de Jean Baptiste Debret (1768-1848). O desenho mostra os negros à espera de um comprador. O dono dos escravos era um cigano sentado ao lado um chicote. Debret descreveu a cena: “Nesse momento, os negros aí depositados  ertencem a dois proprietários diferentes. A diferença da cor dos panos que lhes cobrem serve para distingui-los, um é amarelo e o outro vermelho escuro.” Julio Bandeira e Pedro Corrêa do Lago, “Debret e o Brasil, Obra Completa”. Ed. Capivara, 2007,  p. 184.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A música e a Pedra do Sal

Rose Esquenazi

 Pedra do Sal. Muita gente se pergunta a razão desse nome e a explicação mais convincente é que, no passado, o mar vinha até ali, onde o sal era desembarcado. Como sempre sobrava um pouco no chão, os negros juntavam a valiosa mercadoria e iam vender pela cidade.

Há um pouco mais de cem anos, reuniam-se na Pedra do Sal os grandes compositores e sambistas cariocas: Pixinguinha, João da Baiana e Donga, que registrou o famoso samba Pelo telefone, em 1917, considerado o primeiro no gênero a ser gravado. Atualmente, os amantes de música de raiz frequentam as rodas de samba às segundas e sextas-feiras, à noite. No barzinho sem letreiro ou aviso, ao lado da escadaria que leva ao Morro da Conceição, ainda é possível sentir um pouco o clima da época. O largo chamado João da Baiana fica perto da esquina da Rua Sacadura Cabral.


O pesquisador Ricardo Cravo Albin explica a razão dessa concentração de sambistas.
- Nos anos de 1910 a 1930, o povo do samba se reunia próximo dos centros de candomblé. A pessoa que mais aparecia por ali era o João da Baiana, conhecido pai de santo. Ele chegou a pintar uma cena da boemia no prato em que costumava tocar, como percussão, conta Albin.
Como a boemia sempre precisava de um estímulo para passar horas em “estado de samba”, não faltavam botequins nas proximidades. “Nunca se reunia a seco, sempre tinha muita água”,
garante o pesquisador que inclui na lista dos bambas o mestre Cartola, de “As rosas não falam”, que escolheu um dos botequins para seu quartel-general.

- Havia uma pequena classe média formada por portugueses, proletários e estivadores, como o Mano Décio da Viola, autor de vários sambas-enredos da Escola de Samba Império Serrano. E havia também proxenetas, que exploravam mulheres, numa espécie de Lapa um pouco mais pobre, completa o pesquisador.

NOVO VALONGO: Alma de repórter

NOVO VALONGO: Alma de repórter: A cidade se transforma mais uma vez. Na região do Valongo e seus arredores, no Centro do Rio de Janeiro, vemos antigos armazéns sendo restau...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Alma de repórter

A cidade se transforma mais uma vez. Na região do Valongo e seus arredores, no Centro do Rio de Janeiro, vemos antigos armazéns sendo restaurados e ganhando novas funções. Agora são boates, lojas comerciais, casas de festas. Deparamos com antigo cais, canhões esquecidos e recuperados em escavações. Quanta surpresa nos traz a casa de Mercedes. Ela descobriu no chão da sala parte do maior cemitério negro das Américas e que agora abriga o Instituto dos Pretos Novos (IPN). Arqueólogos do Museu Nacional estudam os objetos singelos usados pelos escravos assim que chegaram no Brasil. Foram entre 500 mil a 1 milhão que pisaram no Valongo com seus cachimbos, brincos e contas de diferentes cores. Das profundezas da terra à perplexidade do nosso olhar.

Há beleza nos Jardins Suspensos do Valongo, da Belle Époque, que voltou a florir. Há música no largo da Pedra do Sal. Quantos sambas nasceram ali no século passado e hoje são cantados novamente pelos jovens? Muito além da propaganda oficial, os alunos de edição de jornalismo da PUC-Rio se lançam na aventura de desvendar o passado do Morro da Conceição, seus moradores e artistas. Imaginam as várias cidades e as marcas deixadas pelo tempo. Será que o Porto Maravilha vai expulsar os moradores mais humildes? Os cariocas vão querer
conhecer o seu passado: a prisão do Aljube (onde ficava exatamente?), o pelourinho, o forte? Vamos tentar responder a essas perguntas aos poucos, publicando os textos e as fotos feitas por duas turmas da PUC-Rio.